Emoção até o final das Quatro Horas de Kart José Edmard Barros de Oliveira

Apesar de muitos pensarem que o automobilismo é um esporte individual, não sabem o quanto o resultado na pista depende do denodo de várias pessoas, sobretudo quando da disputa das provas de longa duração, nas quais vários pilotos revezam-se no comando do carro ou kart, como é o caso das Quatro Horas de Kart José Edmard Barros de Oliveira.

A prova, disputada no Kartclube Iguatemi, neste sábado, envolveu 40 pilotos divididos em 12 equipes, além da participação especial dos pilotos Bernardo Gentil e Gabriel Koenigkan de sete e oito anos respectivamente.

O desafio dos times era chegar à frente dos demais após quatro horas de prova mais uma volta e, para isso, tinham de traçar uma boa estratégia ao longo da corrida que tinha sete paradas de box para reabastecimento e troca de pilotos obrigatórias, além de duas passagens pelo atalho que diminuía o traçado de 700 metros para pouco mais de 200.

A largada, ao estilo das 24 Horas de Le Mans, na qual os pilotos perfilam em frente ao kart e correm para entrar e partir quando autorizados pela direção foi um dos momentos que agitou o público.

Precisamente às 16h, 10min os competidores partiram e Paulo Holanda, com o kart número 01 começou na frente e tratou de acelerar forte para conseguir se livrar das voltas iniciais no meio do grupo que ficara atrás, e tinha como segundo colocado Marcus Borges – Kinho, tetracampeão brasileiro de kart.

Por falar em campeão brasileiro, Gabriel Koenigkan, que conquistou o título na categoria Mirim no Campeonato Brasileiro em 2017, ao lado do amigo e também piloto Bernardo Gentil, também da categoria Mirim, deram mostras de que talento não tem idade.

Comandando um kart maior e mais pesado, totalmente diferente do modelo que usam, programaram-se para andar 100 voltas, e completaram 110 voltas com direito a liderar a prova após a segunda parada obrigatória, quando a estratégia adotada pela equipe Expresso Guanabara/Ceará Diesel manteve Gabriel na pista enquanto os outros pararam logo que autorizados.

A liderança da prova mudou de mãos várias vezes ficando entre cinco karts, o número 01 da PH Transportadora/Maq Loc; os números 11 e 20 da Expresso Guanabara/Ceará Diesel; o número 14 da Iguauto/Fast Inox/Gazin/Santé e o número 06 da Osho.

Voltando a falar em idade, dentre os mais animados na disputa era o time da Royal/Osho/IBF/Sisam composta pelos pilotos e amigos de longas datas Alexandre Romcy, Edmard Junior, Ignácio Barreira e Tibúrcio Frota. Os quatro disputaram provas desde a década de 1970 e ali relembraram os bons tempos quando iniciaram no kart no, hoje extinto, Kartódromo da Leste-Oeste.

Apesar do peso da idade, eles mostraram determinação e superaram o cansaço, mas sabiam da dura missão para acompanhar os mais jovens, no entanto, como relatou Alexandre Romcy, estar ali já representava uma vitória, pois competir ao lado dos amigos não é algo que acontece diariamente.

Edmar Júnior dividia a mesma emoção de Edmar Neto, filho e neto de José Edmard Barros de Oliveira, homenageado na segunda edição da corrida de quatro horas.

Edmar Neto, visivelmente emocionado, mostrava enorme satisfação em competir na prova que levava o nome de seu avô, seu grande incentivador desde quando decidiu competir no kart e, neste sábado, fez jus ao seu talento ao lado de Leandro Soares e Caíque Ramalho que revezaram-se no comando do kart número seis.

Com a prova rolando, algumas estratégias iam sendo reveladas, como as do kart número quatro, da equipe Colosso e o kart número 9 da M.Reis/Eldorado. O primeiro, pilotado por Diego Silva, Everton Barros, Luís Barros e Rodrigo Frota manteve-se sempre entre os cinco mais bem classificados e mostrava consistência.

Mauro Reis, Lucas Veras, Jader Koller, Yuri e Victor Reis buscavam superação a cada volta e, mesmo com a pouca experiência conseguiram crescer ao longo da prova e colocar o kart da M.Reis/Eldorado à frente dos mais experientes em vários momentos, sobretudo na parte final quando a estratégia deles e da Colosso em usar a volta pelo atalho nos últimos momentos, deu esperança quanto a uma melhor classificação.

A equipe Carcará, comandada pelo piloto Alexandre Carcará, também buscava uma prova de superação. Alexandre, que pouco pilotara um kart, junto com Carlos Eduardo, Dr. Augusto e Paulo Marcelo alternaram momentos bons e ruins, sempre com muita união e incentivo ao que estava na pista.

O kart número dois da Grand Plan/Polaris/Goma Pinheiro; pilotado por Luttiane Soares, Claudio Pinheiro, Carlos Gabriel, Daniel Barbosa e Luizinho Gonzaga surpreendeu a todos após a quinta parada obrigatória saindo da quinta para a segunda colocação após uma surpreendente tocada rápida e constante de Luizinho Gonzaga, que há muito não pilotava, mostrando que seu talento não diminuiu apesar da inatividade.

O terceiro carro da Expresso Guanabara/Ceará Diesel, pilotado por Dimas Barreira, Vitor Ari, Gustavo Porto e Sérgio Saboia manteve-se constante oscilando entre a quarta e sexta posições. Dimas, que disputou o Cearense de Kart em 2014 e o Cearense de Motovelocidade em 2016 sentiu o esforço e prometeu, em breve, voltar a competir oficialmente no kart.

Após as duas primeiras horas de corrida, a liderança do kart 11 da Expresso Guanabara/Ceará Diesel compartilhado por Paulo Porto, Flavio Koenigkan, Marcus Borges-Kinho, Kléber Jorge e Serginho Bezerra parecia difícil de ser retirada, mas não é só na pista que se ganha corrida e, na parada para reabastecimento e troca de pilotos o time pisou na bola, e teria de ser punido ao final da corrida com acréscimo ao tempo final por não cumprir o tempo mínimo em duas paradas.

Na punição do kart 11 estava a esperança de Gladson Alves, Igor Figueiredo, Gustavo Luís e Marcos Henrique da Iguauto/Fast Inox/Gazin/Santé que foi a mais regular de todas com seus pilotos mantendo a mesma tocada e virando sempre no mesmo tempo.

Bem como o kart 11, o seis da equipe Osho e o número um da dupla Paulo Holanda e Thiago Barbosa esperavam que a punição do kart 11 lhes permitisse subir de posições e aceleraram forte até a volta 282 quando, na pista, o kart 11 cruzou em primeiro seguido pelo 14; 01 e 06.

Após a euforia da chegada, somado os tempos de punições aos que não cumpriram o tempo mínimo nos boxes, não respeitaram as bandeiras azul e amarela, ou cometeram outras irregularidades, a equipe campeão foi a Iguauto/Fast Inox/Gazin/Santé do kart 14 para alegria de Gladson, Igor, Marcos e Gustavo.

A segunda colocação ficou com o kart 11 da Expresso Guanabara/Ceará Diesel, e em terceiro, o kart número um da PH Transportadora/Maq Loc.

A volta mais rápida (sem passagem pelo atalho) foi marcada por Marcus Borges-Kinho com o tempo de 40.750s. A prova foi encerrada Às 20h, 10min 42s.

Confira a classificação final das Quatros Horas de Kart José Edmard Barros de Oliveira:
01 – 14 Gladson Alves/Igor Figueiredo/Gustavo Luís/Marcos Henrique.
02 – 11 Paulo Porto/Flavio Koemigkan/Marcus Borges-Kinho/Kléber Jorge/Serginho Bezerra.
03 – 01 Paulo Holanda/Thiago Barbosa.
04 – 06 Edmard Neto/Leandro Soares/Caique Ramalho.
05 – 02 Lutiane Soares/ Claudio Pinheiro/Carlos Gabriel/Daniel Barbosa/Luizinho Gonzaga.
06 – 03 Dimas Barreira/Vitor Ari/Gustavo Porto/Sérgio Saboia.
07 – 04 Diego Silva/Everton Barros/Luis Barros/Rodrigo Frota.
08 – 12 Mauro Reis/Lucas Veras/Jader Koller/Yuri/Victor Reis.
09 – 09 Alexandre Carcará/Carlos Eduardo/Dr. Augusto/Paulo Marcelo.
10 – 05 Alexandre Romcy/Edmard Junior/Ignácio Barreira/Tibúrcio Frota.
Participação Especial – 20 Bernardo Gentil/Gabriel Koenigkan.

Texto: Robério Lessa

Fotos: Pista-Robério Lessa/Pódio-Leonardo Soares.

Copyright© 2007-2018 – carrosecorridas.com.br | Proibida a reprodução sem autorização