Vitórias de Daniel Serra e Átila Abreu em Goiânia

Mais potentes e agressivos, os carros da Stock Car deram um show de ultrapassagens e disputas na 11ª e penúltima etapa da temporada, a Goiânia 500 – em referência ao aumento de potência dos motores V8 para 500 cavalos – empolgou o público que lotou as arquibancadas e camarotes do Autódromo Internacional Ayrton Senna na capital goiana. As vitórias nas duas provas ficaram com Daniel Serra, que aumenta sua margem na liderança do campeonato, e Átila Abreu, o terceiro na tabela de pontuação.

O piloto que se destacou em todos os treinos também deixou sua marca na primeira corrida. O português António Félix da Costa, substituto de Alberto Valério na equipe HERO Motorsports, largou em sexto, mostrou extrema competência e terminou a primeira corrida na terceira posição, garantindo ao time seu primeiro pódio na Stock Car. Na disputa inicial, Ricardo Zonta bem que tentou tomar a ponta de Serra, mas teve de se contentar com o segundo lugar.

Com os dez primeiros colocados em ordem inversa no grid da prova 2, Átila Abreu usou de estratégia parecida com a que garantiu a Daniel a vitória na disputa anterior. O piloto da Shell Racing foi escoltado no pódio por Max Wilson e pelo pentacampeão Cacá Bueno.

Na tabela, Serra soma agora 325 pontos, contra 306 de Thiago Camilo. Átila soma 254, diante de 236 de Max e 22 de Fraga. Cacá é o sexto com 215, cinco a mais que Rubens Barrichello, o sétimo. Marcos  Gomes, com 198, Ricardo Maurício com 181, e Gabriel Casagrande, com 176, fecham os dez melhores do campeonato antes da finalíssima que acontece no dia 10 de dezembro em Interlagos.

A primeira corrida – Com nuvens fechando praticamente todo o Planalto Central, a Goiânia 500 começou com ameaça de chuva, que acabou não se concretizando. Com pista seca, a disputa começou quente: já na primeira volta escaparam da pista Antonio Pizzonia, Tuka Rocha, Allam Khodair, Márcio Campos, Cacá Bueno e Felipe Lappena. Na frente, Daniel Serra manteve a ponta enquanto Marcos Gomes perdia três posições – para Ricardo Maurício, Thiago Camilo e Ricardo Zonta.

Logo depois, o piloto da Shell Racing ultrapassou o representante da Ipiranga e, com o furo de pneu que tirou Ricardo Maurício da primeira prova, ficou em segundo lugar. O português António Félix da Costa empolgava o público presente ao também escalar o pelotão até chegar em terceiro, bem próximo dos dois líderes após os pit stops.

A entrada do carro de segurança na 21ª volta agrupou o grid e deixou aberta, entre os três primeiros colocados, a disputa pela vitória. Contudo, Serra defendeu-se bem dos ataques de Zonta, que também era assediado por da Costa, e na bandeira quadriculada as posições se mantiveram.
“O final foi bem difícil. Consegui abrir no começo, em um ritmo bem puxado, mas depois foi complicado para segurar. Felizmente deu tudo certo e o carro estava muito bom”, destacou Daniel Serra, que conquistou sua quarta vitória na temporada.

Para Zonta, o ritmo da prova foi bem forte do início ao fim. “Posso dizer que foi uma corrida bem puxada. A gente teve um superaquecimento dos pneus, e com isso perdi um pouco da aderência no carro. Meu pit stop foi bem rápido, a gente arriscou tudo no momento, e no final tentamos apertar um pouco mais, mas o Daniel está com um carro também muito bom”, afirmou o paranaense.

O representante luso gostou do que viu e viveu na pista na primeira corrida. “A disputa foi muito boa. O carro estava bem competitivo. Apesar de não ter ido mais para frente, foi uma boa experiência. Dei algumas erradas em momentos críticos, porque eu tentei economizar o máximo de push em relação aos outros caras, e quando era para eu usar cometi alguns erros, por isso não deu para passar o Zonta. Mas está bom. Aprendi muito nessa corrida”, disse. O piloto do carro #444 chegou a ter uma disputa mais acirrada ao se defender de Marcos Gomes. Ambos chegaram a se tocar na pista. “O Gomes me deu um toque na saída da curva 1, e por isso ele teve a oportunidade de colocar do meu lado e depois fui me defender. No entanto, eu gostaria de rever o lance em vídeo para emitir qualquer julgamento”, ressaltou.

Marcos Gomes, Denis Navarro, Vitor Genz, Max Wilson, Thiago Camilo, Rubens Barrichello e Átila Abreu fecharam os dez primeiros que largariam em ordem inversa na segunda corrida.   

A Segunda Corrida – A segunda disputa do domingo em Goiânia teve largada tão disputada quanto a primeira, mas todos mantiveram-se na pista. Na segunda volta, Félix da Costa escapou da pista após um toque e teve de abandonar a corrida final do dia. O luso foi o mais votado, à frente de Rubens Barrichello e Bia Figueiredo, os três que foram agraciados com o Hero Push e ganharam, assim, a chance de ter um acionamento extra do botão de ultrapassagem. Da Costa, no entanto, sequer teve a chance de poder usá-lo.

“Na largada aconteceu que o (Denis) Navarro soltou o freio e veio se apoiando na minha porta, mas ainda deu para continuar. Na segunda volta foi igual: eu freei tarde, ele soltou o freio e veio se apoiar em mim. Eu consegui tracionar, e quando voltei levei outra batida. Então não teve jeito, fui para a grama, danificou muito o carro. Foi uma pena, porque ia ser muito divertido”, explicou o português. 

Mesmo assim, o piloto da Hero mostrou-se feliz com o convite e o desempenho apresentado. “Primeira vez como piloto titular, fiquei muito contente. Analisando a corrida toda, eu poderia ter feito muita coisa diferente para ajudar no resultado da corrida 1, e fui pego de surpresa por alguns fatores. É a diferença que a experiência faz, porque estes caras estão aqui há muitos anos. A Stock Car tem alguns detalhes de regulamento que preciso entender melhor ainda. De qualquer forma, fiquei muito contente de poder dar à Hero o primeiro pódio deles. Agradeço pelo convite, à Full Time, ao Maurício (Ferreira)  por me receberem mais uma vez tão bem, e vamos ver o que o futuro nos trará”, concluiu.

A briga pela vitória seguida aberta, e dependeria, também, da estratégia individual de parada nos boxes. Quem havia abastecido na primeira prova, faria apenas um pit stop rápido. Nos boxes, Thiago Camilo quase tomou a ponta de Átila, mas o sorocabano conseguiu sair à frente; quando deixavam os boxes, Max Wilson conseguiu colocar-se entre os dois e assumir o segundo lugar. 

A estratégia de Rubens Barrichello, por exemplo, foi parar no último momento possível da janela de pit stops. Voltou em terceiro, mas depois começou a perder posições até, no final da corrida, tocar no carro de Marcos Gomes. Ambos saíram da pista, e o campeão de 2014 acabou punido com o acréscimo de 20 segundos a seu tempo de prova, o que relegou o piloto da Full Time ao 17º lugar.

Em terceiro, Cacá Bueno passou a pressionar Max Wilson, e na bandeirada os dois cruzaram a linha de chegada separados por apenas 112 milésimos de segundo. Para Átila Abreu, comemoração por sua segunda vitória na temporada, o beijo da noiva e a declaração de amor pela pista de Goiânia. “Goiânia passou a ser a minha pista preferida: já tenho duas poles, pódios e agora duas vitórias. Uma pista que casa bem com o nosso carro. Pena termos tido problema de motor na tomada de tempo, mas trocamos e agora o possante ficou bom e pudemos recuperar e comemorar”, contou.

“Jogamos com o regulamento. Fico feliz por ter conquistado a vitória e ter somado mais de 30 pontos hoje, um bom passo para fechar o campeonato entre os três ou até mesmo ter uma chance lutar pelo vice-campeonato, ainda que pequena, mas vamos fazer o nosso trabalho para final, e vamos estar tinindo em Interlagos”, resume o piloto do #51 da Shell Racing, equipe que colocou seus dois pilotos no pódio no final de semana: segundo com Zonta e primeiro com Átila.

Feito semelhante ao da Eurofarma, que venceu com Daniel Serra a primeira corrida e chegou ao segundo lugar na disputa final com Max Wilson. “Nosso carro estava bom, competitivo, e o do Átila também. Do meio da corrida para frente eu já não tinha mais push, e mesmo assim consegui me manter no mesmo ritmo, o que é difícil. Não deu para ganhar hoje, o segundo lugar era o máximo que poderíamos conseguir e estou contente pelo resultado”, resignou-se.

De volta ao pódio, Cacá Bueno disse que a Goiânia 500 o deixou com “gostinho de quero mais”: “Tomei um toque na primeira corrida, o que me jogou para o último lugar. Não troquei pneus – um monte de gente trocou – e mesmo assim eu era um dos carros mais rápidos da pista. Isso mostra que o carro realmente acendeu neste fim de semana, estava muito bom. Ainda falta um pouquinho de tração. Pena que eu praticamente abortei a primeira corrida, senão a gente poderia ter feito um domingo ainda melhor”, explicou.

Thiago Camilo, Diego Nunes, Gabriel Casagrande, Lucas Foresti, Vitor Genz, Daniel Serra e Felipe Lapenna completaram os dez primeiros da segunda corrida.

Interlagos recebe a grande final em prova valendo pontuação dobrada, no dia 10 de dezembro.

 
Confira os 10 mais bem classificados na disputa pelo título da Stock Car em 2017:
1. Daniel Serra, 325 pontos
2. Thiago Camilo, 306
3. Átila Abreu, 254
4. Max Wilson, 236
5. Felipe Fraga, 222
6. Cacá Bueno, 215
7. Rubens Barrichello, 210
8. Marcos Gomes, 198
9. Ricardo Maurício, 181
10. Gabriel Casagrande, 176

Texto: Vicar
Foto: Duda Bairros/Vicar – Divulgação

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